O hospital de NY que já enfrentou febre amarela, cólera, Aids, ebola e, agora, coronavírus

No verão de 1795, pacientes começaram a chegar ao Hospital Bellevue, na cidade de Nova York, com sintomas de febre amarela.

NYC HEALTH + HOSPITALS/BELLEVUE

Mais de dois séculos depois, o Bellevue, o mais antigo e um dos mais prestigiosos hospitais públicos do país, está novamente na linha de frente do combate à nova epidemia que assola a cidade. Nas últimas semanas, alas e profissionais médicos foram reorganizados para receber o crescente número de pacientes com covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus.

Até esta sexta-feira (10/04), o Estado de Nova York já registrava mais de 170 mil casos e mais de 7 mil mortes.

Hoje, o Bellevue ocupa um prédio de 22 andares e faz parte do New York City Health and Hospitals Corporation, maior sistema de hospitais públicos do país. Os serviços médicos oferecidos pela instituição são cobrados de acordo com a renda familiar. Caso o paciente não tenha plano de saúde, solicita assistência financeira para pagar a conta.

O Bellevue é também um entre dez centros médicos nos Estados Unidos reconhecidos por seu programa de patógenos especiais, ou seja, tem médicos especificamente treinados e unidades especializadas em biocontenção para o tratamento de doenças infecciosas.

Sua história ao longo dos últimos séculos se confunde com a de Nova York e também com a os avanços da medicina nos Estados Unidos.

Início no século 18 como albergue para pobres

Durante anos, o Bellevue foi sinônimo de morte. O hospital ficou célebre por sua ala psiquiátrica e também por abrigar doentes terminais, pobres e indigentes, pacientes que eram rejeitados por outras instituições. Mesmo aqueles com doenças incuráveis ou que não tinham dinheiro para pagar recebiam tratamento.

O hospital começou como uma enfermaria de um albergue para pobres, em 1736. Anos depois, foi transferido para instalações próximas ao East River.

Segundo o historiador David Oshinsky, professor da Escola de Medicina da Universidade de Nova York e autor do livro Bellevue, sobre a história do hospital, durante o século 18 o lugar abrigava pobres e doentes que não tinham chances de se recuperar.