Eliminar e não achatar a curva: Nova Zelândia tem resultados com estratégia mais agressiva contra o coronavírus

Contra o coronavírus, a primeira-ministra Jacinda Ardern colocou em marcha o que classificou como 'a restrição mais dura à movimentação na história moderna da Nova Zelândia'

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Mas surpreende uma desaceleração recente no aparecimento de novos casos da covid-19 e, principalmente, o número de mortes desde o início da pandemia: apenas uma.

Uma explicação pode ser que o governo, liderado pela primeira-ministra Jacinda Ardern, tomou decisões consideradas mais agressivas do que outros países desenvolvidos, como o confinamento de toda a sua população por um mês e o fechamento total de fronteiras.

Também foi um diferencial o fato destas medidas terem sido tomadas desde o início dos casos e a noção de que se buscava não a “mitigação” da doença, mas sim sua “eliminação” na medida do possível.

O que significa o objetivo não de achatar a curva, mas de destruí-la.

“Se for bem-sucedido, o plano aponta para uma rota de saída clara, com um retorno cuidadoso às atividades normais”, diz um artigo científico sobre a estratégia da Nova Zelândia publicado por um grupo liderado pelo epidemiologista Michael Baker.

No entanto, especialistas da Universidade de Otago são cautelosos em comemorar vitória, já que ainda não há tempo nem dados para consolidar os resultados.

Uma única morte

Os primeiros dias de abril indicam que o país está no caminho certo.

Na quinta-feira (9), havia 992 casos confirmados de covid-19 na Nova Zelândia. Era 28 de fevereiro quando o primeiro foi detectado.

A única morte no país, a de uma mulher idosa que contraiu o vírus no exterior, aconteceu em 29 de março.

Mas o total de casos, por outro lado, registrou um aumento notável nas últimas duas semanas, passando de 189 casos em 25 de março para quase 1.000 em 9 de abril, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).