Mandetta é demitido do Ministério da Saúde após um mês de conflito com Bolsonaro: relembre os principais choques

O médico e ex-deputado federal Luiz Henrique Mandetta não é mais o ministro da Saúde. A demissão foi anunciada pelo próprio ministro, no Twitter, nesta quinta-feira

AGÊNCIA BRASIL

“Acabo de ouvir do presidente Jair Bolsonaro o aviso da minha demissão do Ministério da Saúde. Quero agradecer a oportunidade que me foi dada, de ser gerente do nosso SUS, de pôr de pé o projeto de melhoria da saúde dos brasileiros e de planejar o enfrentamento da pandemia do coronavírus, o grande desafio que o nosso sistema de saúde está por enfrentar”, disse ele na rede social.

Em outro tuíte, ele agradeceu à equipe com que trabalhou no ministério e desejou êxito ao sucessor.

Mandetta deixa o cargo depois de passar um mês sendo alvo da “fritura” do presidente da República.

No jargão de Brasília, o termo se refere a um conjunto de gestos (neste caso, do chefe do Executivo) que têm por objetivo sinalizar o desapreço ou desconfiança em um subordinado.

A relação entre o presidente e o agora ex-ministro já estava ruim, mas, segundo interlocutores de ambos, se tornou insustentável no domingo (12).

Em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, Mandetta disse que esperava que ele e o presidente da República pudessem ter “uma fala única, unificada”.

Depois da entrevista ao Fantástico, Mandetta deixou de contar com o apoio da ala militar do Palácio do Planalto, que até então vinha sendo a fiadora da sua permanência no cargo.

“Isso (a divergência entre ele e Bolsonaro) leva para o brasileiro uma dubiedade: ele não sabe se escuta o ministro da Saúde, se ele escuta o presidente (da República), quem é que ele escuta”, disse Mandetta, referindo-se às falas do presidente contra as medidas de isolamento social, defendidas pelo Ministério e por ele.