Suplementos podem causar pedra no rim

Estudos avaliam problemas renais causados pelo uso indiscriminados dessas substâncias.

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Conquistar um corpo malhado e definido é legal, mas a que custos? Usados por muitos marombas de plantão, os suplementos alimentares, se administrados de forma irresponsável, podem trazer problemas hepáticos e renais. O cálculo, popularmente conhecido como pedra no rim, é um deles.

Suplementos proteicos demandam cuidados

O perigo maior está nos compostos hiperproteicos. A Agência de Normas Alimentares da Grã-Bretanha, por exemplo, recomenda que um adulto consuma até 55 gramas de proteína por dia, quantidade bem inferior à presente em uma dose do suplemento. É verdade também que esse valor é apenas aproximado e varia dependendo da massa corporal, do gênero e do esforço físico da pessoa.

Por outro lado, um estudo da Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos, descobriu que tomar proteína do soro de leite, um elemento básico para a maioria dos fanáticos em levantar peso, pode ser ruim. Durante um período prolongado, o consumo está relacionado a um risco maior de se ter, entre outros problemas, cálculos renais.

Em outra revisão, esta publicada na “Revista da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte”, buscou-se investigar a relação da suplementação de creatina com o surgimento de problemas renais. Os resultados não demonstraram evidências sustentáveis de que essa substância possa apresentar riscos a homens saudáveis.

Já usuários com doenças renais pré-existentes e com propensão a nefropatia devem evitar o composto ou só recorrer a ele depois de orientação profissional. Aliás, mesmo pessoas saudáveis só devem começar a tomar suplementos de qualquer natureza após consulta médica.

O estudo também sugere que não se ultrapasse a quantidade de 5 gramas por dia, pois não há evidências científicas suficientes que garantam a segurança da ingestão acima dessa dosagem, em longo prazo.

Pedra no rim é o menor dos problemas

Ao contrário dos suplementos alimentares, em que os estudos ainda não são tão conclusivos acerca dos malefícios, os anabolizantes causam, comprovadamente, problemas sérios à saúde.

Além das modificações no corpo provocadas pela alteração hormonal, os órgãos também podem ser prejudicados, o que pode acarretar consequências mais graves, como pressão alta e comprometimento do fígado, do coração e do funcionamento dos rins. É o que explica o nefrologista Marcos Alexandre Vieira, diretor clínico da Fundação Pró-Rim.

Pedras nos rins também são uma consequência comum, mas estão longe de ser o problema mais grave. Segundo Vieira, uma dos principais perigos é o desenvolvimento de uma doença secundária, a glomerulonefrite. “Trata-se de um processo inflamatório nos rins, provocando perdas de proteína e sangue pela urina. A partir daí, o quadro pode evoluir para a insuficiência renal crônica”, adverte.

No Brasil, de acordo com levantamento publicado na “Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde”, estima-se que os habitantes das regiões Sul e Sudeste são os que mais consomem suplementos alimentares e anabolizantes. Belo Horizonte foi a cidade campeã, com maior incidência de consumo.