O que está por trás da decisão de Donald Trump de suspender financiamento à OMS

O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de suspender temporariamente a contribuição financeira de seu país à Organização Mundial da Saúde (OMS)

EFE/EPA/Stefani Reynolds / POOL

Mas não foi uma decisão que causou tanta surpresa.

Há muito já se especulava que os ataques de Trump à OMS não se restringiriam apenas à retórica.

Os EUA são o país que mais contribui para o orçamento do organismo multilateral baseado em Genebra, na Suíça. O Brasil também é um importante financiador da OMS, embora não tenha pagado sua contribuição em 2019 e 2020.

A dívida brasileira com a organização era de R$ 169 milhões até 31 de março, uma das maiores, segundo apontam documentos internos da OMS.

Há dois motivos principais, mas ambos envolvem a China, diz Barbara Plett-Usher, correspondente da BBC no Departamento de Estado dos EUA.

Por um lado, o anúncio tem a ver, evidentemente, com o coronavírus.

Integrantes do governo Trump acusaram a OMS de ter cometido erros no tratamento da pandemia, dizendo que a organização foi influenciada pela China.

Eles alegam que a OMS apoiou o plano de ação do governo chinês, que subestimou o vírus, e que não o pressionou o suficiente em busca de informações.

Em particular, o presidente Trump demonstrou descontentamento com as críticas da OMS à sua decisão de impedir a chegada de voos da China aos EUA.

Por outro lado, acrescenta Plett-Usher, é parte de um esforço maior do governo Trump para reduzir a crescente influência global da China , especialmente em organismos internacionais.

Conforme noticiado pelo jornal americano The Wall Street Journal, a decisão procura pressionar a agência a contratar mais funcionários americanos.

“Instruo meu governo a interromper o financiamento enquanto uma investigação está sendo conduzida sobre o papel da OMS na má administração e encobrindo a disseminação do coronavírus”, disse Trump.