Após derrotas no Congresso, Bolsonaro tenta criar base e negocia cargos com centrão

O movimento acontece ao mesmo tempo em que Bolsonaro e seus apoiadores radicalizam o discurso e aprofundam os ataques contra adversários políticos, como o atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Durante a quarta-feira (22), a hashtag #MaiaTraidorNacional foi mencionada ao menos 173 mil vezes no Twitter, e figurou na lista dos assuntos mais comentados do dia na rede social. No último fim de semana, Bolsonaro criticou a “velha política” ao discursar para apoiadores em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília.

“O Bolsonaro subiu na picape (no domingo, 19 de abril) dizendo que ‘não negociava nada’. Agora, está aí pedindo currículo de gente para indicar no governo”, ironizou um político de centro-direita ouvido pela BBC News Brasil.

Segundo congressistas e pessoas que trabalham na articulação política do governo, o principal negociador pelo lado do governo nas tratativas com o “centrão” é o ministro da Secretaria de Governo, o general da reserva Luiz Eduardo Ramos.

A “luz amarela” acendeu-se no Palácio do Planalto depois que os deputados impuseram ao governo uma derrota na votação do plano de ajuda de R$ 90 bilhões aos Estados e municípios, na última segunda (13). Na ocasião, a posição governista foi preterida por 431 votos a 70.

Na luta para ganhar musculatura no Congresso, o Planalto não conta só com a simpatia do general Ramos e de Bolsonaro. Segundo os jornais brasileiros, o governo está negociando o comando de órgãos federais com legendas do centrão, como PP, PL e Republicanos.

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