Corpos dos mortos por covid-19 podem transmitir a doença?

A OMS responde sobre como lidar com um cadáver de quem morreu devido à covid-19.

Reuters

Imagens de dezenas de caixões e corpos expostos nas ruas, na falta de opções para enterrá-los, mostraram uma das piores faces da pandemia de covid-19 no mundo.

Além do colapso do sistema de saúde na província de Guayas, a mais afetada pela doença no Equador, outra parte do problema foi o medo gerado pelo manejo de cadáveres.

“Havia uma completa falta de controle. O medo fez com que muitas casas funerárias fechassem as portas. Muitos se esconderam e restaram poucas funerárias (em funcionamento)”, disse à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC, Merwin Terán, presidente da Federação Equatoriana de Diretores Funerários.

“De fato, no Equador, estamos muito atrasados ​​no sistema funerário e não temos orientações (do governo) para fazer nosso trabalho”, diz o líder do grupo que representa 700 funerárias do país.

Dúvidas sobre o que fazer e como lidar com os corpos dos mortos devido à covid-19 ou relacionados a casos suspeitos não existem apenas no Equador.

Na Cidade do México, as autoridades emitiram suas próprias recomendações: não realizar funerais nem fazer autópsia, além de transferências para fora da cidade.

E em Honduras, no Departamento (Estado) de Cortés, que concentra 70% das mortes por covid-19, alguns moradores até usaram facões e paus para impedir o enterro das vítimas da doença, informou a agência Reuters.

Mas os corpos transmitem a doença? Um funeral pode ser realizado? Eles devem ser cremados ou enterrados?

O contágio pode ser evitado

Quando os cuidados necessários são tomados e o manuseio correto é praticado, não há razão para temer a disseminação da covid-19 por cadáveres, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) em um guia solicitado pela BBC News Mundo.

“Exceto nos casos de febre hemorrágica (como Ebola ou febre hemorrágica de Marburg) e cólera, os cadáveres geralmente não são infecciosos”, diz a OMS.

“Só podem ser (infecciosos) os pulmões dos pacientes com gripe pandêmica se forem manipulados de forma incorreta durante uma autópsia. Caso contrário, os cadáveres não transmitem doenças”, acrescenta a entidade.