Alexandre de Moraes suspende nomeação de Ramagem para o comando da Polícia Federal

Decisão liminar (provisória) foi em ação ajuizada pelo PDT. Cerimônia de posse estava marcada para às 15h desta quarta-feira (29).

Rosinei Coutinho

Na decisão, Alexandre de Moraes menciona as acusações feitas por Sergio Moro ao deixar o cargo de ministro da Justiça, na semana passada. Segundo o ex-ministro, Bolsonaro desejava a troca no comando da Polícia Federal para ter acesso a informações sigilosas e interferir no andamento de investigações.

Ao deixar o posto, Moro também encaminhou ao Jornal Nacional, da TV Globo, a reprodução de uma conversa entre ele e Bolsonaro na qual o presidente menciona uma investigação em curso no STF. E diz que o fato da PF estar investigando deputados federais bolsonaristas era “mais um motivo para a troca”. “Tais acontecimentos, juntamente com o fato de a Polícia Federal não ser órgão de inteligência da Presidência da República, mas sim exercer (…) as funções de polícia judiciária da União, inclusive em diversas investigações sigilosas, demonstram, em sede de cognição inicial, estarem presentes os requisitos necessários para a concessão da medida liminar pleiteada”, escreveu Moraes.

A cerimônia de posse de Ramagem no comando da Polícia Federal estava marcada para as 15h desta quarta-feira, no Palácio do Planalto. O evento também marca a posse de André Mendonça, ex-ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), no comando do Ministério da Justiça; e de José Levi Mello do Amaral Júnior como ministro da AGU.

Ramagem fora nomeado para o comando da PF nesta segunda-feira (27). Ele é próximo do vereador carioca Carlos Bolsonaro (Republicanos), filho do presidente da República. Carlos seria um dos investigados em um outro inquérito em andamento no Supremo Tribunal Federal, que tem por finalidade apurar a disseminação de mentiras falsas e de ataques contra os ministros da Corte.