Carlos Roberto Ferriani é autor local homenageado pela FIL

Médico cirurgião renomado, é autor de três livros de poesia e romance, e recebe agora a indicação de autor local da local da Feira. Ferriani diz que pretende utilizar o espaço para realizar oficinas sobre seus livros e discutir e contar histórias

Carlos Roberto Ferriani

Uma seletiva que reúne escritores de renome nacional e internacional, uma ilustradora, uma professora e um executivo de destaque. Assim é formada a lista de homenageados da 20ª edição da FIL (Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto). Com o aniversário de 20 anos e sua inovadora internacionalização, os autores locais não poderiam ser deixados de lado. Neste ano, um médico, que ocupou a sua vida inteira com a especialidade de cirurgião plástico, é revelado também como um grande autor do interior de São Paulo: Carlos Roberto Ferriani é escritor de três livros (dois de poesia e um romance), ocupa um banco na Academia Ribeirãopretana de Letras e na Academia de Letras e Artes de Ribeirão Preto. É também membro da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, e vai participar da Feira para falar sobre sua trajetória e compartilhar seus escritos em palestras e oficinas.

Ferriani não é de Ribeirão Preto, mas passou a viver na cidade para trabalhar como cirurgião plástico. Ele diz que começou a escrever por volta de seis anos atrás, mas sempre esteve envolvido com a arte de alguma forma. Lecionou violão em um conservatório para se manter na faculdade; teve uma banda, a Gemini V; e tinha um plano de se aposentar com 60 anos para se dedicar às artes – o que, segundo ele, aconteceu no ano passado.

Ele conta como se iniciou na escrita: “Pouco antes de começar, com 62 anos, decidi me inscrever num concurso de poesia da UFSCAR e fui classificado em primeiro lugar. Daí em diante tenho escrito muito, além dos três livros publicados; crônicas, ensaios, poesias. Como eu digo:  escrever é orar sem perseguir a graça, apenas pela necessidade de fazer explodir o que se acumula dentro”.

Em seus livros, aborda temas do cotidiano de uma forma fictícia e também real. Gosta de falar de temas polêmicos como preconceitos, liberdade, relacionamentos em geral, e sempre coloca seus personagens para discutir temas importantes “para fazer o leitor pensar”, reforça. Tudo isso, tanto em forma de versos como de crônicas.

O primeiro livro escrito foi “Antes Mesmo Do Sonho – Tempos Poéticos” (poesia); o segundo foi “Fragmentos de Uma Vida” (romance); e o terceiro “Rimas.com.cr”, também de poesia.

O autor conta que sempre foi bem engajado com a Feira do Livro. “Tenho tido a oportunidade de participar de muitas Feiras, porque fui presidente da Academia de Letras e nós temos contato muito direto com a cultura de modo geral”. Classifica a FIL como “evento ímpar”, de grande importância para Ribeirão Preto, e elogia o tema “20 anos e agora?”. “Se agora estamos na 20ª edição, significa que as 19 anteriores foram um sucesso e que está começando uma nova etapa”, comenta.

Para Ferriani, a importância de um evento como esse está, entre outras razões, no fato de que existe um contato muito importante com escritores e artistas locais ou de fora. “A Feira só cresceu durante todo esse tempo porque mostrou para a população que é importante que ela exista  e que as pessoas têm que prestigiá-la”. Ele expressa que a Feira tem sido fantástica para o desenvolvimento literário da cidade e garante que os números nestes anos falam por essa história. “Ver hoje quantas pessoas passaram pela Feira antes; quantos escritores estiveram no evento, conheceram a cidade, ofereceram para a população a sua parte cultural, filosófica”, diz, animado também com suas possibilidades.

No dia 12 de setembro, às 14h, no auditório Meira Júnior, o autor fará uma apresentação do ensaio “Palavras que sou”, uma abordagem a partir da seleção de frases advindas de seus três livros, que serão distribuídas ao público e discutidas ali no local, de forma filosófica e poética. “Quero expor as frases que eu fiz de uma forma que as pessoas possam aproveitar alguma coisa junto comigo: discutir, trocar uma ideia”, explica.