Silvercorp, empresa que organizou tentativa de sequestrar Maduro na Venezuela

Um vídeo promocional da Silvercorp apresenta Goudreau em várias tarefas de segurança

AP Photo/Ariana Cubillos

O plano, comandado pela empresa de segurança americana Silvercorp, começou com meses de treinamento para ex-militares venezuelanos no deserto colombiano Guajira. Eles tinham armas, coletes, e sistema de comunicação.

A Silvercorp chegou a ter contatos com a oposição venezuelana, aberta a explorar “todas as opções” para derrubar Maduro.

E assim nasceu a chamada Operação Gedeón, cujo líder era Jordan Goudreau, um ex-militar dos EUA que participou das guerras no Iraque e no Afeganistão como parte das forças especiais do Exército. Vários outros ex-soldados dos EUA o acompanharam.

Em 3 de maio, cinquenta homens embarcaram em dois barcos na Colômbia com o ambicioso objetivo de ocupar o palácio presidencial de Miraflores, remover Maduro e levá-lo aos EUA.

Mas antes mesmo de chegarem ao ponto de desembarque, uma cidade na costa norte da Venezuela chamada Macuto, o grupo foi interceptado pelas forças de segurança venezuelanas. Segundo o governo, oito pessoas morreram no confronto e dois americanos foram presos.

Desde então, o que começou como uma operação para derrubar o chavismo se tornou alvo de ridicularização e, segundo especialistas venezuelanos, um novo argumento para a retórica de Maduro contra o imperialismo.

Goudreau, agora investigado pela Justiça de seu país, é o protagonista de uma história digna de um filme – para alguns, não de ação, mas de comédia.

Embora o governo Donald Trump tenha negado qualquer vínculo com Goudreau e a operação, o plano reflete o lema do governo de Washington de que “todas as opções estão sobre a mesa” para provocar uma mudança de governo na Venezuela.

Uma empresa de Miami

O nome de Goudreau, de 43 anos e nascido no Canadá, ganhou fama em 1º de maio.

Uma investigação da Associated Press detalhou a operação liderada pelo ex-militar, idealizada em 2018 pela Colômbia, em aliança com membros da oposição e um dissidente do chavismo, ex-general Clíver Alcalá, que há semanas está nas mãos da Justiça dos EUA.

Goudreau, um membro condecorado de uma equipe das forças especiais do Exército, também conhecida como “boinas verdes”, não apenas participou de reuniões da oposição em Bogotá e Miami, mas também fez parte da implantação de segurança do concerto Venezuela Aid Live, na fronteira colombiana, organizada pelo milionário Richard Branson em fevereiro de 2019.

Depois de lutar nas guerras, Goudreau criou a Silvercorp em Miami em março de 2018. Sua principal oferta, de acordo com suas extravagantes redes sociais e site oficial, era treinar policiais e professores diante de ataques a escolas nos Estados Unidos.

Parte de sua estratégia, ele diz em um vídeo, era “infiltrar agentes antiterroristas em escolas, disfarçados de professores”.