60 dias da quarentena: como tem sido sua experiência?

Foram 60 dias em que você se isolou realmente das pessoas ou tentou se conectar por meio de tecnologia, descobrindo que mesmo longe fisicamente, é possível estar próximo? 

Foram dias em que você viveu sob a pressão da produtividade ou experimentou o respeito ao seu ritmo biológico e psicológico? Foram dias de cansaço do convívio intenso com os familiares ou de possibilidades de conviver mais e com melhor qualidade?

Foram 60 dias em que precisou dar conta de todas as atividades domésticas e familiares e ainda do home office ou foi uma oportunidade de exercitar o ajustamento criativo que existe em cada um de nós?

Foram dias de tédio e impaciência, ou de possibilidades de entrar em contato consigo mesmo? Foram 60 dias de ansiedade com relação ao futuro ou de sonhar e fazer planos para um futuro melhor? Foram 60 dias de paralisação de sua energia vital ou de pensar em formas diferentes de autocuidado?

Acredite, não é necessário se encaixar numa forma ou na outra. É possível que você tenha vivido todas essas situações, uns dias produzindo, outros se recolhendo e cultivando o ócio; uns dias amando estar com a família e outros desejando estar sozinho em seu cantinho; uns dias querendo ler todos os livros da estante e outros querendo dormir direto por 24 horas. Não esqueça, seja benevolente consigo, somos humanos e para a categoria do humano não existe uma forma única de agir.

Lembre-se que a Pandemia do Covid-19 nos convocou a realizar mudanças abruptas em nossas vidas, foi necessário saímos de um ‘lugar’ habitual e rotineiro em que estávamos e fomos convidados a nos reinventar em todos os aspectos. Foi preciso que criássemos novas formas de nos relacionar com a família, com o trabalho, com os estudos, com a ausência de contato físico com os amigos e amores, e de nos relacionar conosco mesmos, com nosso eu interior. Para muitos, tem sido um grande desafio, para outros, um sinal de superação e resiliência. Foram dias de novas oportunidades de vivermos de maneira diferente e refletirmos sobre isso.

O que fazer com estas vivências cabe a cada um de nós: pode ser sentido como uma dádiva ou uma punição, um aprendizado ou um sofrimento. E você, o que vai fazer com esses 60 dias? Aproveite e reflita sobre isso!

Djanira Luiza Martins de Sousa
Coordenadora dos cursos de Pós-graduação em Saúde Mental e Atenção Psicossocial e de Psicologia Humanista e Existencial do Centro Universitário Estácio

Djanira Luiza Martins de Sousa