Desburocratização, crédito imobiliário e investimentos foram os principais assuntos no último dia do Summit Novo Mercado Imobiliário

No último dia do encontro, painéis falaram sobre questões econômicas, como financiamentos, taxas de jutos, investimentos, fundos imobiliários no cenário pós pandemia

O evento Summit Novo Mercado Imobiliário, encontro digital e gratuitoque aconteceu entre os dias 7 a 9 de julho, na plataforma online Youtube, trouxe cerca de 30 profissionais que debateram temas do futuro do universo do mercado imobiliário. Nesta quinta-feira (9/7) aconteceu o último encontro, com três painéis e a participação de cerca de 15 especialistas no assunto que debateram temas como desburocratização, crédito imobiliário e investimentos.

O primeiro painel do dia trouxe o tema “Desburocratização do mercado imobiliário” com os profissionais Ricardo Telles, CEO da Perplan; Karolina Menezes, gerente jurídico do ForCasa e Cesar Pinheiro, advogado e professor, com mediação de Wagner Oliveira, especialista em loteamentos. Karolina Menezes abriu o debate falando sobre os impactos que a burocracia pode ter sobre o setor imobiliário. Segundo ela, as leis não só atrapalham como empobrecem o setor de algumas formas, citando o exemplo da Estônia. “O país foi pioneiro nesse quesito e houve uma redução das burocracias. Isso levou a um impacto muito grande no PIB, resultando em 2%. Para chegar a uma economia com essa grandeza, só mesmo através da simplificação”, alertou. O CEO da Perplan, Ricardo Telles, confirmou o pensamento e acredita que a burocracia é um problema nacional. “O Estado intervém em assuntos que não são deles. Querem legislar nas dimensões de um apartamento e na quantidade de área verde que temos que inserir. São tantas exigências, muitas delas legítimas, mas muitas provenientes da cabeça de um técnico”, comentou.

O professor, advogado e membro da comissão de loteamentos do CRECISP, Cesar Pinheiro, alertou uma possível solução para a situação das burocracias. “Temos que ter uma lei com a preposição do século XXI, porque aí teremos um estudo objetivo dizendo que não é necessária uma área pública para uma UBS, por exemplo, porque existem outros bairros que já atendem essa demanda”.

O segundo painel do dia trouxe o assunto “Crédito Imobiliário”. Durante uma hora, os profissionais Gustavo Pagotto, da Creditas; Tarcisio Paschoalato, da Bild Desenvolvimento Imobiliário; Guilherme Bruno, da Homelend e Márcio Souto, do Banco Alfa, debateram temas como atenção ao crédito imobiliário, fraudes, bureau de crédito, novo consumidor em função da informalidade dos profissionais diante da pandemia e fintechs. O encontro foi mediado por Fernanda Machado, diretora da Felí.

Para Gustavo Pagotto, da Creditas, o papel das fintechs – termo que surgiu da união das palavras financial e technology que são majoritariamente startups que trabalham para inovar e otimizar serviços do sistema financeiro – é ajudar as pessoas a entenderem as outras possibilidades de créditos que as pessoas podem ter.  “Vejo como um olhar para frente, como uma educação financeira mesmo, mostrando para muitas pessoas que acham que endividamento é ruim. Ruim é um crédito com altas taxas”, disse.  Márcio Souto, do Banco Alfa, vê a fintech, de um lado, como um provocador, e do outro, até mesmo como parceiro. “O mercado de crédito imobiliário tem muito para ser explorado. Concorrência vai existir, mas é saudável. Seja trabalhando junto ou concorrendo no mercado. O importante é que há muito para ser trabalhado”. Guilherme Bruno, da Homelend, destacou que o Brasil é um país mal explorado e a qualquer ângulo que procurar, será possível ver que ainda existe muito espaço para crescer. “Em financiamento, por exemplo, o Brasil é um país de primeiro mundo”. Para ele, os juros devem sim ser competitivos. “Não concordo com as fintechs brigarem com os bancos. Nosso papel é de ampliar e não competir”, alertou.

A discussão abordou ainda temas como financiamento.  Tarcisio Paschoalato, diretor de crédito da Bild Desenvolvimento Imobiliário, deixou um alerta: “podendo, façam uma dívida. Dessa forma, é possível canalizar as energias para aquele objetivo”. Para ele, alguns trabalhos que as fintechs estão fazendo de massificar e levar o crédito a muita gente que não tinha acesso é importante. “Este é um mercado que deve ser explorado”.

Fernanda Machado, diretora da Felí, concluiu o debate dizendo que a fintech veio para complementar o que os bancos não conseguem acessar. “Hoje, muitas pessoas não conseguem comprovar renda, em função do emprego informal, e o nosso papel acaba sendo inclusive de educação financeira”. Para ela, o painel foi resumido em uma única palavra: oportunidade. “Oportunidade para quem está informando, oportunidade de novos produtos e novas necessidades, oportunidade de ter um imóvel com taxas atrativas”, concluiu.

O último debate do Summit Novo Mercado Imobiliário abordou a temática “Imóvel como investimento dentro do novo cenário econômico”, com Monica Saccarelli da Grão; Guilherme Ávila, da XP Investimentos; Marcelo Jensen, da D&C e Paulo Deitos Filho, da CapTable e CapRate.

A principal incógnita hoje do setor é o que que muda no cenário econômico com a pandemia. Marcelo Jensen, diretor da D&C, acredita no retorno aos escritórios no período pós pandemia. “O cenário hoje é de home-office, mas em breve, acredito na volta aos escritórios. As empresas são formadas pelo relacionamento das pessoas. E isso é fundamental. Somos muito preocupados com o distanciamento social”. Mas, o diretor acredita que haverá sim uma readequação dos espaços e das formas das pessoas trabalharem.  “Empreendimentos de boa qualidade nunca estarão vazios. Mal localizados e mal construídos sim. Estes terão problemas. Haverá uma adaptação na forma de construir, com ativos cada vez mais sustentáveis”.

Neste cenário, Paulo Deitos Filho, confounder da CapTable e CapRate, acredita que haverá uma diminuição de idas aos escritórios. Para ele, o residencial é o que mais tende a mudar: “imóveis menores como living cedem lugar para imóveis maiores em condomínios com área verde. Esta é a principal mudança em residencial que eu acredito”.

Assuntos como fundos de investimentos e multifamily properties também foram abordados. Para Guilherme Ávila, da XP Investimentos, a multifamily é uma classe de ativos que irá cada vez mais se desenvolver no Brasil. “Já é uma realidade muito forte em outros países”, disse.

Summit Novo Mercado Imobiliário foi uma realização da Terravista, em parceria com Datastore e o grupo formado pelas empresas Bild Desenvolvimento Imobiliário e Vitta Residencial Construtora e Incorporadora e Felí (correspondente bancário). A participação foi gratuita.