Clube do Livro discute “Do amor e outros demônios” neste sábado (22)

Livro de Gabriel García Márquez foi escolhido pelos participantes para ser debatido neste mês de agosto durante encontro promovido pela Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto

Gabriela Pedrão

Acontece neste sábado (22) mais um encontro do Clube do Livro, promovido pela Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, e que também faz parte da 40tena Cultural. A atividade será realizada novamente de forma online através da plataforma Zoom, às 16h, e é aberta e gratuita. Com curadoria da bibliotecária Gabriela Pedrão, o encontro deste mês irá discutir o romance “Do amor e outros demônios”, do escritor colombiano Gabriel García Márquez, conhecido por ser o mestre do realismo mágico. O link para participar do bate-papo está disponível na Bio do Instagram da Fundação (@fundacaolivrorp).

“Do amor e outros demônios” nasceu das memórias de Gabriel García Márquez. Quando ainda era repórter, o escritor ficou encarregado de fazer uma matéria em Cartagena, em 1949, sobre a remoção de criptas funerárias no convento histórico de Santa Clara, que seria vendido para a construção de um hotel cinco estrelas no local. Um dos caixões abrigava uma ossada com cabelos compridos, o que causou estranheza no autor. A cena o fez lembrar de uma lenda que a avó dele contava, sobre uma pequena marquesa venerada no Caribe por ser milagrosa e que havia sido mordida por um cachorro com raiva, falecendo em seguida. Nessa primeira obra do escritor e jornalista, o realismo fantástico quase molha os pés nas águas da literatura do absurdo para narrar a turbulenta existência da jovem Sierva Maria (filha única de um marquês, criada no convívio de escravos e orixás) que cria uma relação com o padre incumbido de exorcizar os demônios que se acredita terem possuído a pequena.

Por essa e outras obras tão importantes para a literatura latino-americana, Gabriel García Márquez foi honrado com um Prêmio Nobel de Literatura. “Esse é o segundo livro latino-americano que estamos lendo. O primeiro foi “A Casa dos Espíritos”, de Isabel Allende”, lembra a curadora do Clube do Livro, Gabriela Pedrão. Segundo ela, os participantes queriam muito ler um livro de Garcia Márquez neste ano. Gabriela destaca pontos que a obra traz por conta do fato principal: uma menina mordida por um cachorro com raiva na narrativa. “A obra fala um pouco sobre a doença, de como se espalhava principalmente nos territórios da América do Sul e como era tratada. Fala também sobre medicina alternativa, curandeiros, a crença dos escravos e resgata a medicina tradicional, mostrando como os hospitais eram naquela época e como as pessoas eram tratadas”, mostra. Para ela, um dos pontos fortes da obra é que a história foi escrita baseada em uma reportagem.

Novas adesões ao Clube do Livro

Um resultado causado pela a pandemia do novo Coronavírus trouxe para o Clube do Livro  a interação e participação de pessoas de outros estados brasileiros e também de alguns que nunca tinham participado do formato presencial. Antes da migração para as plataformas digitais, a atividade tinha em média de 10 a 15 participantes. Hoje, segundo Gabriela Pedrão, a média subiu para 40 pessoas simultâneas, quatro vezes mais que o presencial.

Uma desses novos participantes é a médica geriatra Patrícia Moura Zwonok, de 36 anos. Ela participou do encontro online estando em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, a 1.422 km de Ribeirão Preto. Segundo conta, a médica conheceu o encontro através do Instagram de Gabriela Pedrão. “Comecei a segui-la em função de seus vídeos sobre livros. Numa ocasião, ela publicou sobre o Clube do Livro e me interessei muito pela agenda dos livros abordados a cada edição. Participo de um grupo de leitura em minha cidade, mas tem outro formato”, relata a médica.

A curadora analisa o crescimento de participantes no projeto, justamente por motivos semelhantes ao de Patrícia. “Às vezes, as pessoas não têm um Clube do Livro na sua cidade ou têm uma dificuldade de encontrar um. Como o nosso encontro é gratuito ele acaba atraindo mais interessados”, comenta Gabriela.

Patrícia   destaca a importância de o projeto atrair gente de outras regiões do País, por estar sendo, neste momento, remoto. “Atividades como esta aproximam o Brasil. A vivência que cada pessoa tem em seu estado e a discussão que isso gera é muito rica”, mostra a médica. Gabriela alerta que a leitura é uma válvula de escape do que está acontecendo neste no mundo nos últimos meses. “É um tempo de descansar a cabeça e ter contato com outras pessoas”.

O Clube do Livro faz parte do Plano Anual da Fundação e conta com incentivo à cultura por meio do Programa de Ação Cultural – ProAC. Para saber mais informações e acompanhar as novidades da 40tena Cultural basta acessar as redes sociais da Fundação do Livro e Leitura:

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