“Ninguém coloca um sentindo na vida de ninguém”, disse coordenadora do Grupo SINN

Durante live realizada pelo IPCCIC, nesta última quarta-feira (30/9), Marina Lemos Silveira Freitas trouxe para o debate como o suicídio pode ser trabalhado nas escolas

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O IPCCIC (Instituto Paulista de Cidades Criativas e Identidades Culturais) vem realizando uma série de encontros on-lines e discussões que auxiliam no desenvolvimento social. Através do projeto “Jornada Cidade Humana Hoje – Seis passos para a cidade humana”, o encontro desta última quarta-feira (30/9), foi “O amor como atitude pedagógica e o suicídio”, com a participação da coordenadora do Grupo SINN (Programa de Prevenção do Suicídio Juvenil centrado do sentido da vida), Marina Lemos Silveira Freitas, e a psicóloga e pesquisadora do IPCCIC, Marlene Trivellato Ferreira, na mediação.

Durante o encontro, Marina Lemos Silveira Freitas destacou o que aprendeu, durante sua vida, com Viktor Emil Frankl, neuropsiquiatra austríaco e fundador da terceira escola vienense de psicoterapia, a Logoterapia e Análise Existencial, que entre seus livros destaca-se “Sobre o Sentido da Vida”. “Tudo o que abordo sobre o tema é embasado em Viktor Frankl. Quando encontramos um tesouro é importante compartilhá-lo. A busca pelo sentido da vida tem a força e o poder de transformar nossa vida”, alertou.

A professora usou como referência uma assertiva do psiquiatra: “não sou eu que fico exigindo da vida o que eu quero, antes eu devo responder aquilo que a vida me pergunta”. Segundo ela, é importante uma análise sobre a situação que o momento pede e que não se deve impor sobre a vida o que cada um deseja, sem antes, responder o que a vida quer de cada um, lembrando de um trabalho que o psiquiatra realizou em Viena, capital da Áustria, na década de 20, período registrado por muitos suicídios na cidade. “Fundamentado na logoterapia, Viktor Frankl conseguiu zerar o número de casos. E isso foi replicado para outros países”, lembrou Marina Lemos.

Por mais que tinha estudado os casos de Frankl, a professora nunca tinha pensado em usá-los. Mas, em 2016, dois alunos de uma escola que trabalhava cometeram suicídio – ambos muito próximos. “Quando aconteceu o segundo caso, decidimos que precisávamos fazer alguma coisa. Não podíamos deixar acontecer novamente”. Logo que começou a praticar os ensinamentos, ela conta que percebeu como as coisas foram acontecendo de maneira natural. “Vieram muitas pessoas para ajudar na prevenção do comportamento autodestrutivo, falando sobre o sentido da vida para os que estão em desespero e que não enxergam mais valor na vida”.

E é dentro deste trabalho que a ação do Grupo SINN atua: na prevenção de casos em escolas, principalmente nas públicas, através de um alerta no sentido da vida. “É um trabalho de promoção da vida, do despertar, da busca do sentido, porque ninguém dá o sentido para ninguém. A pessoa descobre, mas ela pode ser ajudada, estimulada, acreditada e acompanhada”, explicou a Marina Lemos Silveira Freitas.

A psicóloga e pesquisadora do IPCCIC, Marlene Trivellato Ferreira, fez também um alerta, principalmente neste momento de pandemia. “Precisamos encontrar formas de acompanhamento psicológico, mesmo que não haja condições. Mesmo que eu não tenha condições de pagar por um tratamento, posso ter pessoas que se mobilizaram pela minha dor e que se constituem como grupo, se transformando em comunidade. Ampliando o repertório de estratégias de enfretamento”, concluiu.