Empresas precisam defender custos em 2021, analisa economista no LIDE LIVE Ribeirão

Roberto Padovani é economista-chefe do Banco Votorantin e atuou como assessor do Ministério da Fazenda durante o Plano Real. Divulgação
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Roberto Padovani, economista-chefe do Banco Votorantin e que atuou como assessor do Ministério da Fazenda durante o Plano Real, apresentou o cenário econômico dos próximos anos durante o LIDE LIVE Ribeirão para filiados e imprensa, na tarde de 03 de dezembro. Ele afirmou que em 2021 os empresários devem estar absolutamente concentrados nos custos de suas empresas para superar os desafios provocados pela pandemia da COVID-19.

“As empresas brasileiras precisam defender suas margens, pois ao longo de 2021 não deverão faturar tanto e, consequentemente, não conseguirão repassá-las. A tecnologia é uma importante aliada para ‘salvar’ as empresas daqui para frente, pois pode reduzir custos e elevar a produtividade em seus negócios”, aconselha Padovani.

O economista disse ainda que a economia brasileira irá melhorar nos próximos dois anos, impulsionada pelo fim do confinamento – o que abre a possibilidade de planejamento das empresas – e também pela chegada da vacina contra o novo coronavírus. Por outro lado, mercados emergentes como Estados Unidos (diminuição dos riscos na economia após as eleições), China (crescimento de 8%) e Europa também devem favorecer a economia nacional por conta das exportações de commodities, setor em que o país tem grande atuação. O cenário internacional mostra-se estimulado, ainda, pelos preços internacionais, câmbio favorável para as exportações, entre outros fatores.

Padovani ainda afirma que no Brasil o mercado de trabalho continuará caminhando e que não deve haver falta de crédito, no entanto o encerramento do auxílio emergencial – medida do governo brasileiro durante o período pandêmico – impactará setores como o de comércio e de indústria logo no início de 2021. Outros setores já devem se destacar como o de serviços (especialmente mobilidade) e ligados a crédito. Mesmo com os custos pressionados, de acordo com ele o faturamento voltará a crescer gradativamente. Aos empresários, ele pontua: “foquem em seus negócios, seus custos. Isso fará o país andar”.

Já em relação à política, o economista disse não haver possibilidade de Impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Para ele, o Brasil pode crescer mais, desde que importantes gargalos sejam resolvidos como a infraestrutura (estradas, rodovias, portos) e qualificação de mão-de-obra.