Dezembro laranja: especialista alerta para os riscos do câncer de pele e altos índices UV

Crédito: Freepik
7

Na região de Ribeirão Preto não precisa ser verão para o sol aparecer com mais intensidade. O mês que dá início a estação mais quente e mais “solar” do ano traz alertas importantes para os cuidados com a pele. Nos últimos meses do ano, a cidade alcançou por diversas vezes a variação no índice UV entre 8 e 10 – considerados ‘Muito Altos’ – na escala que é medida proporcional à intensidade dos raios que chega até a Terra e pode causar queimaduras.

Com esse clima, os médicos ressaltam a importância dos cuidados diários para prevenção do câncer de pele. A neoplasia é a mais recorrente no país e, segundo o INCA, para o triênio (2020-2022) são esperados mais de 185 mil novos casos – sendo 176.930 do tipo não-melanoma e 8.450 do tipo melanoma, mais agressivo.

“Qualquer pessoa que não tomar as medidas de prevenção pode desenvolver o câncer de pele. Porém, alguns grupos são mais suscetíveis à doença como as pessoas de pele mais clara (possuem menos melanina – pigmento que protege e responsável pela cor da pele) indivíduos com histórico pessoal ou familiar de câncer de pele, profissionais que trabalham diretamente expostos ao sol (efeito cumulativo da radiação), além de pessoas que já sofreram grandes queimaduras no passado”, explica a oncologista do InORP Oncoclínicas Cristiane Mendes.

Os tipos

O câncer de pele é dividido em duas categorias. O não-melanoma, que corresponde a 30% de todas as neoplasias malignas, apresenta 2 subtipos mais comuns: carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular. O primeiro com crescimento normalmente mais lento. O diagnóstico pode ser feito pelo aparecimento de uma lesão nodular aspecto peroláceo, no rosto, pescoço e couro cabeludo. Já no carcinoma espinocelular ocorre a formação de um nódulo que pode crescer rapidamente e se transforma em uma ferida (úlcera) de difícil cicatrização, que sangra e coça.

O melanoma é menos incidente, geralmente uma lesão mais pigmentada, mas com variação de cor- preta, castanha, avermelhada ou azul mais escura), geralmente assimétrica, com bordas elevadas.

Todas as neoplasias malignas têm por característica a capacidade de crescer no local que aparecem e gerar metástases. Dentre as categorias citadas, o melonoma é potencialmente mais agressivo.

“É preciso ficar alerta ao corpo e aos sinais. Uma pinta que aumente de tamanho, varie de cor, perca a definição das bordas ou até sangre é sinal de alerta. Outras lesões cutâneas com crescimento rápido ou que não cicatrizem que apresentem sangramento ou coceira também devem ser analisadas com atenção por um especialista”, reforça Cristiane Mendes.

Prevenção

Segundo a oncologista, ao se expor ao sol, seja no dia a dia ou em certos períodos, é necessário tomar os cuidados, independente de idade e cor da pele.

“O protetor solar é o primeiro item obrigatório. Ele deve ter no mínimo fator 30 e ser aplicado a cada duas horas, principalmente, após o contato da pele com a água. De modo geral, deve-se evitar a exposição entre 10h e 16h. Crianças acima de 6 meses podem usá-los conforme orientação do pediatra (existe uma linha específica). O banho de sol deverá ser feito antes das 10h”, comenta a médica.

A grande maioria dos tumores de pele são tratados com cirurgia. Alguns casos requerem complementação com cirurgia mais extensa, radioterapia, imunoterapia, terapia alvo ou quimioterapia. A oncologista reforça também que é importante fazer uma avaliação completa que revelará o estadiamento da doença possibilitando programar o tratamento oncológico mais preciso e, assim manter a boa funcionalidade da região atingida, bom controle da doença e qualidade de vida para os pacientes.

“É recomendado que se faça avaliação da saúde da pele anualmente com um dermatologista. Além de proteger este que é o maior órgão do nosso corpo, hidratando e usando filtro solar”, conclui Cristiane Mendes.

 

Cristiane Mendes – Oncologista do InORP Oncoclínicas. Divulgação