Homenagem póstuma enaltece trajetória do deputado João Cunha

Luta do político pela democracia no país e por uma sociedade mais justa e igualitária foi exaltada durante cerimônia

Fernando Gonzaga
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“Tenho a honra de dizer que o meu voto enterra a ditadura fascista, corrupta e entreguista que infelicitou a minha Pátria”, assim, o deputado João Cunha justificou seu voto a Tancredo Neves, o primeiro presidente eleito após a ditadura militar. Passagens como essa, e tantas outras em defesa da democracia, foram lembradas durante homenagem póstuma ao deputado realizada na Câmara Municipal.

A cerimônia aconteceu na noite de quinta-feira, 11 de dezembro, e contou com a presença de familiares, amigos e colegas de bancada do deputado. O prefeito Duarte Nogueira também esteve presente e discursou sobre a relevância dos trabalhos de João Cunha como defensor dos direitos humanos e da democracia.

“Homenageamos aqui nosso ilustre ribeirão-pretano, que faleceu no último dia 14 de novembro, coincidentemente véspera do processo eleitoral, o qual ele tanto defendeu e participou. Nós não vivemos tempos normais, estamos todos de máscaras, fato inusitado para a normalidade da própria humanidade, e era em tempos anormais que o João Cunha iniciou sua vida política, enfrentando a ditadura militar, defendendo o retorno do sufrágio universal, o direito à liberdade, direitos humanos e a luta a favor da democracia”, disse o prefeito.

Discursaram também o presidente da Sessão Solene, vereador Renato Zucoloto, o jurista Sérgio Roxo da Fonseca, o ex-deputado federal Marcelino Romano Machado, o advogado Roberto Heck e o representante da Comissão e Justiça e Paz de São Paulo, Ezio Bruno Bruzadin. Todos, amigos do homenageado, lembraram de situações que viveram com ele enalteceram a importância da sua luta. Também falou à tribuna a vice-presidente da OAB, Andrea Cristina dos Santos Corrado.

Ao final da cerimônia, Patrícia Rodrigues da Cunha, filha de João Cunha, agradeceu as homenagens prestadas. “Eu queria falar um pouco sobre a figura do meu pai, o homem dessa potência de coragem, de combatividade, dessa braveza única, mas existe o João, meu pai, que transcendeu todas essas características, eu posso dizer que ele é o homem mais doce, mais terno, mais gentil que eu pude conhecer em essência. Ele nos colocava no banho quente, naquele frio de Brasília, preparava nosso café da manhã, são essas as lembranças doces. Tudo no João era desmedido, o sentimento, a braveza, a potência, mas acho que isso faz parte de almas que são singulares. Essa será uma saudade de todos os dias. Gratidão pela loucura feita de sonhos e luta incansável pelo nosso bem-estar. Como disse Fernando Pessoa, seu amado poeta, “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”, disse emocionada.