Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto divulga agenda do Clube do Livro para 2021

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O Clube do Livro, projeto da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, apresenta o seu calendário de 2021. Sob curadoria da bibliotecária Gabriela Pedrão, os encontros deste ano vão continuar acontecendo mensalmente e a lista das obras escolhidas é diversa em temas e autores. O primeiro encontro ainda será online, no próximo dia 30 de janeiro, pela plataforma Zoom com transmissão para o YouTube e site oficial da instituição www.fundacaodolivroeleiturarp.com. A obra escolhida para o retorno das atividades do grupo é A Elegância do Ouriço, da romancista e filósofa Muriel Barbery. A participação é gratuita e qualquer interessado em literatura ou nas obras pode participar.

Gabriela Pedrão explica que, apesar de definir a lista final dos livros, essa é também uma escolha coletiva. “Desde outubro de 2020, eu preparei o grupo e pedi para que os integrantes trouxessem uma lista de livros que tinham interesse em ler e discutir, seguindo alguns pré-requisitos nossos. Em novembro, o grupo discutiu quais eram as favoritas e, a partir do coletivo, eu fiz uma seleção final de 12 obras”, relata a bibliotecária.

Os pré-requisitos que ela cita são: 1) não repetir autores; 2) escolher livros com menos de 350 páginas; 3) a obra não pode estar esgotada. A segunda regra é aplicada pelo fato de que as leituras são mensais (logo não poderiam ser obras extensas), e a terceira porque o livro precisa estar disponível para os participantes. Já a primeira, de não repetir autores, tem uma justificativa interessante, como revela Gabriela. “Essa foi uma ideia que eu trouxe para o Clube e o pessoal abraçou. Acho isso interessante para evitar cair na zona de conforto. Sempre temos alguns autores que o grupo gosta mais e que geram boas discussões. O grupo gostou e estamos entrando no quinto ano neste formato”, conta a bibliotecária.

Além de fugir do comum, a ideia é também que o Clube consiga conhecer autores de diversos países. “Isso é algo que valorizamos: a variedade de regiões, não ficarmos apenas em leituras do Brasil, Estados Unidos e Inglaterra, por exemplo. Tem dado muito certo”.

A mistura de autores e de escritas também é interessante, segundo Gabriela, porque os integrantes do Clube começam a detectar algumas características culturais e sociais que estão presentes na língua. “Quando se lê autores de língua portuguesa, é sempre uma experiência diferente, muito gostosa. A gente tem uma identificação muito grande. O mesmo acontece com literatura latina. Mas também é muito legal conhecer obras de culturas diferentes, que trazem novas experiências. Funciona muito bem essa mistura”.

Os livros selecionados para 2021, conforme indicados na agenda abaixo, trazem escritores de diferentes regiões do globo. São eles: Muriel Barbery (francesa), Dino Buzzati (italiano), Olga Tokarczuk (polonesa), Romain Gary (francês), Itamar Vieira Junior (brasileiro), Elena Ferrante (italiana), Daniel Keyes (estadunidense), Lygia Fagundes Telles (brasileira), Albert Camus (franco-argelino), Toni Morrison (estadunidense), Mario Benedetti (uruguaio) e Italo Calvino (italiano). A mediadora dos encontros explica que, tal como as nacionalidades, as temáticas de cada livro são distintas: “Às vezes alguma acaba se repetindo, porque na literatura há alguns temas que são mais recorrentes. Mas no geral são universos diferentes”.

Gabriela afirma que mesmo quem não tem tanto assim o hábito da leitura pode participar desse ciclo. “Para as pessoas que não estão tão acostumadas, minha dica é que procurem os livros mais curtos do clube, aqueles que despertam mais interesse e não tenham vergonha, nem medo de encarar essas obras. O clube é aberto, as discussões são muito tranquilas”, afirma. Ela comenta que até mesmo quem não conseguiu finalizar a obra pode participar. “Há participantes que não conseguem ler o livro todo, mas não deixam de estar presentes porque gostam da discussão”. E ela já dá a dica: o livro de fevereiro, O Deserto dos Tártaros, de Dino Buzzati, é um dos mais curtos do ano.

A curadora do clube também lembra que não existe um jeito certo de levar as leituras indicadas pelo Clube: tudo depende da rotina de cada participante. Mas ela indica ler de fato uma obra a cada mês. “Dessa forma, você vai apreciando a leitura daquele mês e chega na discussão com a cabeça naquele livro, sem esquecer muitos detalhes. Eu acho mais gostoso assim, porque a gente vai saboreando e tem um tempo para absorver cada leitura. Mas se a pessoa tem a possibilidade de antecipar e gosta, tudo bem também”.

Para a bibliotecária, a importância do Clube do Livro é justamente por ajudar nesse ritmo de leitura. “Tem sempre momentos em que a gente desanima, quando aquela leitura se torna um pouco cansativa ou você não vê muito mais significado e começa a virar algo enfadonho”. Na opinião dela, o clube vem com uma animação: “o participante sabe que vai poder falar sobre aquilo na discussão, sobre como ele se sentiu, suas impressões e dúvidas”.

Nos encontros, os integrantes do Clube do Livro sempre discutem e abordam questões interessantes e reúnem opiniões do grupo. “Nós saímos do individual e vamos para o coletivo, transformando isso numa prática social de conversar, se abrir, trocar ideias”. É o momento de tirar dúvidas sobre o que não ficou claro, mas também pode ser o espaço para quem se empolgou tanto com uma obra que precisa compartilhar com os outros. “O clube é perfeito para esses momentos e acaba incentivando e estimulando muito a leitura”.

A experiência online
A Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto não contabilizou uma diferença muito expressiva na quantidade de pessoas participando dos encontros online durante a pandemia do novo coronavírus, mas Gabriela Pedrão ressalta que o projeto atraiu pessoas de outras localidades que antes não participavam por ser uma atividade apenas presencial. “Isso porque nós já tínhamos participantes muito assíduos antes, já éramos uma pequena família que estava há quase quatro anos juntos, lendo e participando”.

Gabriela ressalta que no geral os clubes do livro pelo país tiveram (e ainda estão tendo) uma função importante neste período de isolamento social. “Diversos grupos surgiram, criando muitas oportunidades para os interessados participarem de clubes de livros diferentes”. Ela ainda lembra que o fato de que muitos migraram para o online também acabou estimulando a participação das pessoas. “Acaba sendo um estímulo, porque fica muito fácil: da sua casa você vai lá e acessa e de repente começa a participar, podendo inclusive escolher qual se encaixa melhor para você”.
Na opinião da curadora a experiência online dos clubes do livro tem sido uma oportunidade de as pessoas conseguirem socializar mais ideias e sensações sobre os livros gerais. “Dentre os fatores negativos de 2020, foi algo positivo e que ajudou a gente a passar por um ano tão complicado”, finaliza.

Agenda
Confira abaixo os livros escolhidos para leitura e debate dos próximos encontros do Clube do Livro/2021.
30/Janeiro: A Elegância do Ouriço, Muriel Barbery
27/Fevereiro: O Deserto dos Tártaros, Dino Buzzati
27/Março: Sobre os Ossos dos Mortos, Olga Tokarczuk
17/Abril: A Vida pela Frente, Romain Gary
29/Maio: Torto Arado, Itamar Vieira Junior
26/Junho: A Filha Perdida, Elena Ferrante
31/Julho: Flores para Algernon, Daniel Keyes
28/Agosto: Ciranda de Pedra, Lygia Fagundes Telles
25/Setembro: A Peste, Albert Camus
30/Outubro: O Olho mais Azul, Toni Morrison
27/Novembro: A Trégua, Mario Benedetti
11/Dezembro: As Cidades Invisíveis, Italo Calvino

A agenda do Clube do Livro e de outros projetos da Fundação do Livro e Leitura é divulgada também pelas redes sociais e site oficial da entidade:
Site www.fundacaodolivroeleiturarp.com
Instagram (@fundacaolivrorp)
Facebook (facebook.com/FundacaodoLivroeLeituraRP)
Linkedin (fundacaolivrorp),
Twitter (@FundacaoLivroRP)
Youtube (FeiraDoLivroRibeirao)

Sobre a Fundação
A Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto é uma entidade de direito privado, sem fins lucrativos. Trata-se de uma evolução da antiga Fundação Feira do Livro, criada em 2004, especialmente para realizar a Feira Nacional do Livro da cidade. Hoje, é considerada a segunda maior feira a céu aberto do país. Em 2020, a Feira tornou-se internacional e entraria na 20ª edição. Por isso, recebeu recentemente nova identidade, apresentando-se como FIL (Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto), mas a sua realização foi remarcada para agosto de 2021, devido à pandemia do novo Coronavírus.

Com uma trajetória sólida e projeção nacional e agora internacional, ao longo de seus 20 anos, a entidade ganhou experiência e, atualmente, além da Feira, realiza muitos outros projetos ligados ao universo do livro e da leitura, com calendário de atividades durante todo o ano. A Fundação se mantém com o apoio de mantenedores e patrocinadores, com recursos diretos e advindos das leis de incentivo, em especial do Pronac e do ProAc.