Fevereiro Laranja alerta para a prevenção da leucemia, tipo de câncer mais frequente em idosos

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Um dos tipos de câncer mais conhecidos, a leucemia surge quando os glóbulos brancos, presentes no sangue, perdem a função de defesa e passam a se desenvolver sem controle. Para destacar a importância e atenção aos sintomas, prevenção e diagnóstico precoce acontece, neste mês, a campanha nacional Fevereiro Laranja.

“A campanha é ainda mais importante durante esse período da pandemia, já que as pessoas estão evitando cuidados com outras doenças, além da Covid-19, como é o caso do câncer”, afirma Sarah Cristina Bassi, hematologista do InORP Oncoclínicas.

Segundo o INCA a incidência anual para o triênio (2020 -2022) será de 10.810 novos casos de leucemia – sendo 5 920 em homens e 4 890 em mulheres – e quanto maior a idade, maior o risco de se desenvolver a doença. Existem mais de 12 tipos de leucemia, sendo quatro tipos primários: leucemia mieloide aguda (LMA), leucemia mieloide crônica (LMC), leucemia linfocítica aguda (LLA) e leucemia linfocítica crônica (CLL).

“O adiamento dos exames periódicos pode ter um impacto muito grande nos diagnósticos e abandonar o tratamento pode comprometer o quadro geral de saúde, algo bastante negativo em face de uma pandemia. De todos os tipos existentes, a leucemia linfoide aguda é mais comum em crianças. Todas as outras formas são mais comuns em idosos que são justamente um dos grandes grupos de risco para a Covid-19. Por isso, por mais que estejamos limitados para circular, é importante estar sempre atento ao seu corpo e com os exames em dia”, ressalta a médica.

Sintomas e diagnóstico

Muitos fatores podem aumentar o risco do desenvolvimento da leucemia como a exposição ao benzeno, radicação ionizante, outros elementos hospitalares e de laboratórios, assim como alterações hereditárias e histórico familiar. A hematologista lembra que a prevenção envolve também manter hábitos de vida saudável, evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool.

“No caso do tabaco, evitar seu consumo pode reduzir também o risco de outros tipos de câncer como de pulmão, boca, bexiga. A leucemia não tem um fator de risco conhecido. Com medidas simples podemos melhorar nossa qualidade de vida e evitar o aparecimento de um dos tipos da doença”, lembra Sarah.

Pelo acumulo de células defeituosas na medula óssea, não há a produção de células sanguíneas normais. Essa diminuição de glóbulos vermelhos leva a anemia que provoca fadiga, falta de ar, palpitação, dor de cabeça, entre outros sintomas, além da baixa imunidade (falta de glóbulos brancos) e, sangramentos mais comuns nas gengivas e nariz e manchas ou pontos roxos na pele (diminuição de plaquetas). Outros sintomas possíveis são gânglios linfáticos inchados, febres e suores noturnos, perda de peso e desconforto abdominal.

“A detecção precoce pode ser feita por meio de exames clínicos periódicos e regulares de acompanhamento. Se diagnosticado, o tratamento deve ser iniciado imediatamente após a descoberta para aumentar as chances de resultados positivos. Depois que instalada no corpo, a leucemia progride rapidamente. Por isso é essencial estar atento ao seu corpo e qualquer diferença que perceba é necessário uma visita ao médico”, diz a hematologista.

Vacina para pacientes hematológicos

A hematologista ressalta que as vacinas disponíveis para aplicação contra COVID-19 são seguras para pessoas com câncer.

“Consideramos que a vacina da Covid-19 é segura para pessoas com câncer, apesar de termos dados limitados de segurança e eficácia, mas pensamos que de uma forma geral há mais benefícios que riscos. Um estudo do Oncoclínicas reforça esta tese e a importância de este grupo de risco, que possuem o sistema imunológico diferente tenha acesso ao produto. Muitos de nossos pacientes estão sofrendo isolados e com medo, se tornando mais frágeis e inseguros diante dessa doença que impede o contato, as relações e os abraços que são tão necessários para o enfrentamento do câncer. A vacina vem como uma esperança para a vida de todos”, completa Sarah.

 

Sarah Cristina Bassi, hematologista do InORP Oncoclínicas.